Acostumados a enxergar valor antes em algo como esforço responsável que em posições favoráveis, nos esquecemos da estrutura. A habilidade das cabeças boas, como Robert Musil parece ter dito, estarão mais preparadas que qualquer atitude provinda de grande velocidade ou energia.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
7 de fevereiro de 2010 - da inteligência
Acostumados a enxergar valor antes em algo como esforço responsável que em posições favoráveis, nos esquecemos da estrutura. A habilidade das cabeças boas, como Robert Musil parece ter dito, estarão mais preparadas que qualquer atitude provinda de grande velocidade ou energia.
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Da colaboração íntima - Robert Musil
...a solução de uma tarefa intelectual não acontece de modo muito diferente do que quando um cão, levando um bastão na boca, quer passar por uma porta estreita; ele vira a cabeça para a esquerda e a direita, até o bastão entrar, e nós agimos de modo muito parecido, apenas com a diferença de que não tentamos fazer isso de modo inconsciente, mas, pela experiência, já sabemos mais ou menos como proceder. E embora uma cabeça inteligente tenha muito mais habilidade e experiência nos movimentos do que uma cabeça tola, a solução também para ela chega de forma inesperada, acontece de repente, e sentimos com vago espanto que os pensamentos se fizeram por si, em vez de esperarem pelo seu autor. Essa sensação de assombro é o que muita gente chama hoje em dia de intuição, depois de antigamente a chamarem de inspiração, e acreditam dever enxergar nela algo de suprapessoal; mas é apenas algo impessoal, isto é, a afinidade e solidariedade das próprias coisas que se encontram dentro de uma cabeça.
(Robert Musil, in O homem sem qualidades, p.82, 1942)
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
20 de janeiro de 2010 - Do destino
Sartre dissera outrora que somos responsáveis pelo mundo, pela humanidade, que é escolhendo-se que se escolhe os outros. Quem procura conselhos, procura os conselhos que pretende, e não qualquer conselho. Estamos preparados para o que vem, ainda que nos surpreendamos, isso deixa margem para o pensar, do fato de que as idéias não são nunca inesperadas, daí a criatividade recai sobre nós como um esforço repetitivo de escrita e reescrita através do qual se forja algo novo, e almejado. Observe como é simples e bem colocada essa outra forma de tratar o destino...
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Do destino causado - Sándor Márai
Não só as coisas acontecem com as pessoas, (...) cada um gera também aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Fá-lo, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter.
Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'
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domingo, 13 de dezembro de 2009
13 de dezembro de 2009 - Da vaidade
Agir para um indivíduo é saber da única forma que tem para tal, inquestionável. E agir mesmo é cheio de engasgos. A saliva precipita e se cospe nas palavras improvisadas. Agir mesmo é não haver o que o contenha; quem age eleva-se no patamar da própria força, segura firme na atitude, e se não o faz, já errou.
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Do calor da vaidade - Nicolas Malebranche
Os homens não estão cientes do calor que emana do seu coração, embora ele dê vida e movimento a todas as outras partes do seu corpo. (...) O mesmo se dá com a vaidade: ela é tão natural para o homem que ele não a percebe. E, embora seja isso que dê, por assim dizer, vida e movimento à maioria dos seus pensamentos e desígnios, isso ocorre de um modo que é imperceptível para o sujeito. (...) Os homens não percebem suficientemente que é a vaidade que dá ímpeto à maioria de suas acções.
Nicolas Malebranche, in 'Procura da Verdade'
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sábado, 21 de novembro de 2009
22 de novembro de 2009 - Do possuir
Fui consumido pela lucidez da tua cachaça!
Sávio
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Contra o possuir - Kafka
Não existe nenhum possuir, somente um ser, somente um ser exigente até o último alento, até à asfixia.
Franz Kafka
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